“Clara di Sabura”: filme e debate na Zona Franca [SEX, 1 AGO 2014]

Clara_di_SaburaO filme guineense “Clara di Sabura” serve de mote para um debate sobre as “ameaças” no feminino associadas às novas gerações africanas, que a associação cultural Zona Franca promove no primeiro dia de Agosto, a partir das 21h00.

O filme surge de um poema com o mesmo título do jornalista e poeta guineense Mussá Baldé e é o segundo filme inteiramente produzido na Guiné-Bissau. Foi realizado por José Lopes em 2011, com poucos meios, e recruta o essencial dos seus actores (na maioria amadores) nos liceus e universidades da capital guineense.

Tal como o poema Antoni Ronkanti (António Bazofo) de Mussá Baldé, que visa criticar os rapazes pela vida de ociosidade, aparências e bluffs que levam na capital do país (Bissau), Clara di Sabura é o contraponto feminino de uma juventude guineense que, para muitos, é considerada como estando à deriva. O filme centra-se na história de uma rapariga, Clara, que ignora os conselhos de familiares e colegas, descura a escola e as lides domésticas, e procura outras formas de singrar na vida, como relações amorosas com quem a possa ajudar a alcançar o que pretende, ganhando assim a alcunha de Clara Sabura (Clara das Festas, da “boa vida”).

O tema dos desafios ou ameaças das novas gerações a determinadas normas sociais é intemporal, incidindo neste caso em âmbitos como as relações de género, normas de respeitabilidade e transformações nos campos das sexualidades e relacionamentos. Declinados no feminino, estes desafios assumem, em diversas partes do mundo como é o caso em muitos países africanos, contornos aparentemente similares. Tal semelhança é visível nas críticas dirigidas às raparigas em muitas sociedades africanas, bem como na saliência que o tema assume em trabalhos académicos e de intervenção social actualmente.

Após a projecção do filme, e para lançar o debate com o público sobre estas “ameaças no feminino”, foram convidados Cadidjatu Baldé (Membro do Projecto Musqueba: Agriculture School for women), Ricardo Falcão (antropólogo, doutorando em Estudos Africanos no ISCTE-IUL, que fez a sua pesquisa de terreno sobre estas temáticas no Senegal) e Joana Vasconcelos (doutoranda em Estudos Africanos no ISCTE-IUL e em Antropologia Social e Cultural na Bélgica, cuja pesquisa incide sobre vivências de jovens raparigas e transições para a idade adulta em bairros periféricos de Bissau).

 

O quê: Clara di Sabura (Clara das Festas): Gestões sociais de “ameaças” no feminino das novas gerações em contextos africanos (exibição de filme + debate)

Quando: Sexta, 1 de Agosto de 2014, 21h00

Onde: Zona Franca, Rua de Moçambique, 42, Lisboa (Metro: Anjos)

Quanto: entrada livre.

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