África em foco no Festival Queer Lisboa [20 > 27 SET 2014]

"Call Me Kuchu"

“Call Me Kuchu”

Está a chegar a 18.ª edição do Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, que decorrerá entre 19 e 27 de Setembro.

O Queer Lisboa é o mais antigo festival de cinema da capital portuguesa e o único festival português dedicado ao cinema de temática gay, lésbica, bissexual, transgénero e transsexual, bem como outras questões ligadas às identidades sexuais e de género.

A edição de 2014 traz-nos um número recorde de obras: são 135 filmes oriundos de 38 países, entre longas e curtas-metragens de ficção e documentários. Fora da competição, o programa inclui uma retrospectiva da primeira fase da obra do irreverente John Waters, a exibição da filmografia completa do britânico Ron Peck e um inédito de Derek Jarman exibido pela primeira vez fora do Reino Unido e que serve de pretexto a um olhar à sua obra e à forma como moldou a iconografia queer dos anos 80 e 90.

Mas o nosso maior destaque vai para o “Queer Focus on Africa”, um programa totalmente dedicado ao cinema queer africano, que terá lugar entre 20 e 27 de Setembro na Cinemateca Portuguesa, no Cinema São Jorge e na ZDB – Galeria Zé Dos Bois e incluirá a exibição de 22 filmes e a realização de 2 debates e de 4 instalações-performances.

Fruto de uma colaboração com o Africa.Cont, o Queer Focus on Africa é um ambicioso e inédito programa que reúne uma filmografia de produção africana, revelando-nos não apenas as diversidades políticas e culturais deste continente, como as formas como o seu cinema tem lidado com as questões ligadas à sexualidade e ao género, recuperando clássicos como o senegalês “Touki Bouki”, realizado por Djibril Diop Mambety, de 1973, numa cópia em 35mm recentemente recuperada.

O programa inclui ainda instalações, performances e debates com a presença de realizadores e artistas africanos no Queer Lisboa, para nos falarem sobre as complexas realidades queer nos diversos cantos de África.

Aqui ficam alguns destaques:

Touki Bouki

de Djibril Diop Mambéty

Senegal / 1973 / 85 min

Com uma deslumbrante mistura entre surreal e naturalista, Djibril Diop Mambety pinta neste filme um vívido e fracturado retrato do Senegal no início dos anos 70. Nesta fantasia dramática influenciada pela Nouvelle Vague, dois amantes anseiam trocar Dakar pelo glamour e prazeres de França, mas o seu plano de fuga sofre complicações tanto reais como místicas. Caracterizado por um imaginário e música deslumbrantes, este excêntrico e meditativo Touki Bouki é vastamente considerado um dos filmes africanos mais importantes de sempre.

Exibições:

[SÁB, 20 SET 2014, 19h00, Cinemateca Portuguesa, filme de abertura do Queer Focus on Africa]

[SEX, 26 SET 2014, 19h30, Cinemateca Portuguesa]

 

Call Me Kuchu

de Katherine Fairfax Wright, Malika Zouhali-Worrall

EUA, Uganda / 2012 / 87 min

No Uganda, uma nova proposta ameaça tornar a homossexualidade punível por lei. David Kato, o primeiro ugandês assumidamente gay, e o reformado bispo Anglicano Christopher Senyonjo trabalham contra o relógio para acabar com a homofobia perpetrada pelo Estado enquanto combatem a perseguição atroz do dia-a-dia. Mas ninguém está preparado para o brutal homicídio que abana o movimento na sua estrutura base, e envia ondas de choque pelo mundo inteiro.

Exibições:

[SEG, 22 SET 2014, 15h30, Cinemateca Portuguesa]

 

Simon & I

de Beverley Palesa Ditsie

África do Sul / 2001 / 52 min

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Simon & I conta a história de dois nomes maiores do movimento de libertação gay e lésbico da África do Sul, Simon Nkoli e a própria realizadora, Bev Ditsie. A história é narrada por Bev, constituindo ao mesmo tempo um testemunho pessoal e uma história política, à medida em que ela fala da relação de ambos, nos seus bons e maus momentos. As suas vidas convergentes e divergentes em torno das principais questões do activismo gay e do VIH/Sida são reveladas com recurso ao formato de entrevista, imagens de arquivo de momentos-chave do movimento, fotogramas e notícias de jornal.

Exibições (com a presença da realizadora):

[SEG, 22 SET 2014, 19h00, Cinemateca Portuguesa]

[TER, 23 SET 2014, 19h30, Cinemateca Portuguesa]

 

Mercedes

de Yousry Nasrallah

Egipto, França / 1993 / 108 min

Depois de ser internado pela mãe por tentar doar a sua fortuna ao Partido Comunista egípcio, o jovem Noubi sai do hospital deparando-se com uma Cairo diferente da que conhecera. Quando o tio lhe pede ajuda para procurar o seu primo gay, Gamal, Noubi imerge num submundo urbano de escuridão e corrupção. Mas esta sua busca acabar por o levar ao encontro da felicidade e de pessoas a quem pode chamar “família”.

Exibições:

[QUA, 24 SET 2014, 19h30, Cinemateca Portuguesa]

[QUI, 25 SET 2014, 19h00, Cinemateca Portuguesa]

 

Tall as the Baobab Tree

de Jeremy Teicher

EUA, Senegal / 2012 / 82 min

Coumba e a sua irmã mais nova, Debo, são as primeiras a abandonar a sua aldeia natal senegalesa – onde as refeições são preparadas em fogueiras ao ar livre e a água é retirada dos poços -, para irem para a escola na grande cidade. Mas quando um acidente ameaça a sobrevivência da família, o seu pai decide vender a filha mais nova de onze anos, Debo, para um casamento arranjado. Dividida entre a lealdade para com os seus anciãos e os seus sonhos para o futuro, Coumba engendra um plano para salvar a irmã de um destino que ela não escolheu.

Exibições:

[QUI, 25 SET 2014, 22h00, Cinemateca Portuguesa]

 

Aya de Yopougon

de Marguerite Abouet, Clément Oubrerie

França / 2013 / 84 min

Filme de animação que resulta dos dois primeiros volumes da novela gráfica de Marguerite Abouet, feita em 2005 juntamente com o ilustrador Clément Oubrerie, que é também co-realizador do filme. Aya de Yopougon conta a história de Aya, uma costa-marfinense que vive em Yopougon, um bairro da classe trabalhadora de Abidjan nos anos 70. A jovem rapariga ambiciona tornar-se médica, ao contrário das suas duas amigas, Adjoua e Bintou que, para sua tristeza, são particularmente dotadas em: Penteados, Moda e Caça ao Marido. Num serena atmosfera de cores quentes e canções populares, Aya de Yopougon descreve as vidas de um bairro moderno e urbano.

Exibições:

[SÁB, 27 SET 2014, 15h30, Cinemateca Portuguesa]

 

Destaque ainda para uma performance da artista queniana Ato Malinda, no dia 24, na ZDB, e para as instalações da egípcia Amanda Kerdahi e do franco-argelino Kader Attia, de 20 a 27 de Setembro, na Cinemateca.

 

Bilhetes para as sessões do Queer Focus on Africa: 3,20 euros (existem vários descontos)

 

Programa do Queer Focus on Africa

Site do Queer Lisboa

 

 

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