Exposição “Things Fall Apart” [até 12 MAR 2017]

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Our Africa (2016), Alexander Markov

Um conjunto de artistas, cineastas e grupos de África, Ásia, Europa e América do Norte expõe reflexões interdisciplinares sobre as relações entre África, a União Soviética e os países da sua área de influência, com base em filmes, fotografia, propaganda e arte pública.

O resultado é a exposição “Things Fall Apart”, integrada no programa RED AFRICA e promovida pela EGEAC – Galerias Municipais/AFRICA.CONT, com curadoria de Mark Nash, que pode ser vista na Galeria Avenida da Índia, em Lisboa, até 12 de março.

A exposição foi buscar o seu título ao romance homónimo de Chinua Achebe, publicado originalmente em 1958 (e mais tarde em Portugal, com o título “Quando Tudo se Desmorona”), uma obra clássica de ficção pós-colonialista cuja história reflete sobre o impacto devastador do colonialismo em África.

Estabelecendo uma associação com o desmoronar da perspetiva utópica com o fim da Guerra Fria e com o colapso do investimento do Bloco de Leste no desenvolvimento político e cultural em África, a exposição apresenta quinze projetos de artistas contemporâneos relacionados de diversas maneiras com este tema.

“Things Fall Apart” foca especialmente o cinema como um meio para desenvolver uma estética militante, uma estética orientada para imaginar um futuro independente das potências coloniais, bem como para criar elos internacionais entre os países africanos e os mundos comunista e em desenvolvimento.

Dois trabalhos fotográficos de Kiluanji Kia Henda, que vive e trabalha entre Luanda e Lisboa, registam vestígios do apoio cubano e soviético durante a Guerra Fria.

As fotografias a preto e branco da fotógrafa sul-africana Jo Ractliffe oferecem também uma visão da Angola contemporânea, refletindo sobre a sua história recente e focando as paisagens de conflito.

Conakry (2012-2013) é um filme de Filipa César que revisita imagens do arquivo guineense que documentam uma exposição organizada em 1972 por Amílcar Cabral em Conakry, relatando o estado da guerra contra o domínio português. No filme, a escritora portuguesa Grada Kilomba e a rádio-ativista americana Diana McCarty refletem sobre estas imagens e a sua história.

Yevgeniy Fiks (nascido em Moscovo, a viver em Nova Iorque) apresenta uma projeção de uma série de imagens digitais, que focam a representação dos africanos e afro-americanos na cultura visual soviética, com especial enfoque no ator afroamericano soviético Wayland Rudd.

O projeto Travelling Communiqué, concebido por Armin Linke, Doreen Mende e Milica Tomić, explora a ideia da amizade política, tendo como ponto de entrada a coleção de 1200 fotografias tiradas durante a primeira conferência do Movimento dos Não Alinhados, que combatia o imperialismo e o colonialismo em África, na Ásia, Europa e América Latina.

A Nossa África (Our Africa, 2016), do cineasta Alexander Markov, utiliza imagens em movimento do Arquivo de Filme e Fotografia do Estado Russo para expor os mecanismos por detrás da criação de filmes de propaganda soviética, que procuravam registar a expansão do “glorioso socialismo” no continente africano.

Sobre Labudovic: Cinema, Escola e Guerra da Independência, uma nova peça de Milica Tomić, sobre o trabalho do fotógrafo e cineasta Stevan Labudović, que foi enviado para a Argélia numa ação de apoio à luta anticolonial durante a Guerra da Independência da Argélia (1954 -1962).

O artista londrino Isaac Julien apresenta duas peças que entrelaçam referências cinematográficas e arquitetónicas através da Ouagadougou urbana, o centro do cinema em África, e os espaços áridos do Burkina Faso rural.

As três maquetes de esculturas da lisboeta Ângela Ferreira, que nasceu em Maputo, Moçambique, e cresceu na África do Sul, prestam homenagem aos workshops de cinema que o realizador e etnógrafo francês Jean Rouch realizou em Moçambique no pós-independência.

A instalação do artista cubano Tonel reflete sobre a relação histórica entre a URSS e Cuba através do olhar da corrida espacial, real e imaginária.

Através de um filme de longa-metragem, fotografias e instalações, o artista sul-coreano Onejoon Che apresenta-nos o seu projeto relacionado com monumentos e arquiteturas em África, construídas na Coreia do Norte.

Radovan Cukić e Ivan Manojlović, curadores do Museu da História Jugoslava, em Belgrado, apresentam uma seleção de imagens do Arquivo Presidencial digitalizado de Tito.

O angolano Paulo Kapela cria retratos do seu universo interior, combinando filosofia Bantu, Catolicismo, Rastafarianismo e iconografias socialistas, juntamente com um forte sentimento de uma cultura local de veneração.

O pintor congolês Tshibumba Kanda-Matulu retrata nos seus trabalhos eventos e personalidades importantes nos seus trabalhos, como Patrice Lumumba e o seu fugaz mas marcante governo.

Quando: até 12 de março de 2017, terça a sexta-feira, 10h-13h e 14h-18h, sábados e domingos, 14h00-18h00 (última admissão: 30 min antes da hora de encerramento)

Onde: Galeria da Avenida da Índia, Avenida da Índia, 170, Lisboa

Quanto: Entrada livre.

+ info

Como complemento e contraponto à exposição “Things Fall Apart”, o programa RED AFRICA apresenta no dia 20 e 21 de fevereiro, no Cinema São Jorge, em Lisboa o ciclo “O Legado das Relações Culturais entre África, a União Soviética e os Países da sua Área de Influência durante a Guerra Fria”.

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