São Jorge acolhe ciclo sobre relação entre África e União Soviética [20 e 21 FEV 2017]

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Proposto como complemento e contraponto à exposição “Things Fall Apart“, a EGEAC – Galerias Municipais/AFRICA.CONT apresenta o ciclo “O Legado das Relações Culturais entre África, a União Soviética e os Países da sua Área de Influência durante a Guerra Fria”, nos dias 20 e 21 de fevereiro, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Integrado no programa RED AFRICA, este ciclo de filmes e debates pretende alargar e promover uma discussão local sobre os temas da exposição e da publicação dela decorrente.

As lutas pela independência dos países africanos colonizados por Portugal e a íntima relação entre descolonização e democratização em Portugal serão revisitadas pela exibição de um conjunto de filmes que abordam de modo mais ou menos explícito as temáticas da exposição.

PROGRAMA

Segunda, 20 de fevereiro, 11h00

Visita à exposição “Things Fall Apart”, com o curador Mark Nash (Galeria Avenida da Índia)

Segunda, 20 de fevereiro, 15h00

Octobre, de Abderrahmane Sissako
1993, 36’, França
Legendado em inglês

octobreO segundo filme de Sissako, feito quando era estudante na VGIK, a escola de cinema de Moscovo, é sobre a relação entre Ira, uma jovem mulher russa que trabalha num hospital, e Idrissa, um estudante africano em Moscovo. O filme segue as personagens nas suas vidas diárias, as experiências de racismo casual dos vizinhos, a cultura musical vibrante africana no metro e encontros arbitrários da vida cotidiana. Filmado num estilo semi-vérité, o filme reflete o humor um pouco desesperado das suas personagens: a partida iminente de Idrissa para a África aproxima-se e Ira decide esconder a sua gravidez.

Rostov-Luanda, de Abderrahmane Sissako
1997, 58’, Angola, França, Alemanha, Mauritânia
Legendado em inglês

rostov_luandaRostov-Luanda documenta a visita de Sissako a Angola na década de 1990, quando regressou ao país para tentar encontrar o seu amigo Baribanga. Quando chega, descobre um país e um povo completamente deslocado e desmoralizado por quase vinte anos de guerra entre as forças comunistas (particularmente cubanas) endossando o governo existente, a SWAPO e a UNITA. A Guerra Fria tornou-se uma guerra quente em Angola e Rostov-Luanda narra o desencanto e o pessimismo que Sissako encontra tanto dentro dele como no país como um todo, um contraste dramático com o utopismo que a independência angolana representou para todo o continente.

Segunda, 20 de fevereiro, 17h00

RED AFRICA, O LIVRO, A EXPOSIÇÃO (mesa-redonda)

O painel reúne artistas e outros intervenientes que contribuíram quer para a exposição Things Fall Apart, quer para a publicação Red Africa, Affective Communities and the Cold War, a fim de proporcionar uma reflexão sobre o legado das relações culturais entre África, a União Soviética e os países da sua área de influência durante a Guerra Fria.

Participantes: Ana Balona de Oliveira, Ângela Ferreira, Nadine Siegert, Polly Savage
Moderador: Mark Nash
Sessão em inglês

Segunda, 20 de fevereiro, 19h00

Black Sun (Chyornoye solntse), de Aleksey Speshnev
1970, 97’, URSS
Legendado em inglês

blacksunDrama histórico soviético sobre o destino trágico do primeiro-ministro congolês, Patrice Lumumba, o filme é criado como as memórias de duas pessoas que foram vítimas de intrigas políticas: o primeiro-ministro do país africano ficcional, Robert Musombe, e o assessor da ONU, Sr. Burt. Os eventos seguem em grande parte a crise do Congo nos anos 1960.

Segunda, 20 de fevereiro, 21h30

Teza, de Haile Gerima
2008, 139’, Etiópia, Alemanha, França
Legendado em inglês

tezaEtiópia, 1990. Anberber voltou para a sua aldeia com uma perna ausente e a cabeça cheia de fantasmas. Depois de emigrar na década de 1970 para estudar medicina na Alemanha, onde encontrou um racismo generalizado, deixando para trás uma Etiópia imperial sob domínio de Haile Selassie, Anberber regressa e encontra um estado socialista sob Menghistu Haile Mariam. O seu sonho é agora cuidar do seu povo, que sofre a dupla aflição da fome e dos regimes totalitários. Voltar permite-lhe fazer o balanço do caos político e social existente na sua terra natal. Por pouco evita ser linchado e busca refúgio na aldeia natal. Dentro de uma cabana, diante do fogo, percebe quão impotente é diante do colapso dos valores humanos.

Terça, 21 de fevereiro, 11h00

CINEMA, UTOPIA, PROPAGANDA (mesa-redonda)

O painel tem como objetivo fomentar um debate sobre o papel do cinema no contexto das independências africanas, considerando, por um lado, o seu potencial emancipador e, por outro, os riscos de ser reduzido a um instrumento de propaganda.

Participantes: Alexander Markov, Margarida Cardoso, Raquel Schefer
Moderadora: Maria do Carmo Piçarra
Sessão em inglês

Terça, 21 de fevereiro, 15h00

O Regresso de Amílcar Cabral, de Sana Na N’Hada, Flora Gomes, José Cubumba, Djalma Fettermann e Josefina Crato
1976, 31’, Guiné-Bissau, Guiné, Suécia
Legendado em inglês

o_regresso_de_amilcar_cabralFilme coletivo que hoje é considerado a primeira produção realizada pelos cineastas guineenses após a libertação do colonialismo português em 1974. O filme documenta a transferência dos restos mortais de Amílcar Cabral, de Conacri (onde foi assassinado em janeiro 1973) para Bissau, em 1976. A cobertura intrigante do evento solene, gravações de canções guineenses e imagens de arquivo de Cabral durante a guerra de guerrilha criam uma homenagem a um excelente pensador político e lutador pela liberdade.

African Rhythms, de Irina Venjer e Leonid Makhnach
1966, 50’, URSS
Legendado em francês

african_rythmsA canção que é cantada na alegre cidade verde de Dakar foi ouvida pela primeira vez na capital da República do Senegal no Primeiro Festival Mundial das Artes Negras, em 1966. Participaram delegados de 37 países do mundo. Pela primeira vez, culturas fraternas reuniram-se em grande escala em Dakar.

Terça, 21 de fevereiro, 17h00

ÁFRICA, SOCIALISMO, GUERRA FRIA (mesa-redonda)

O painel pretende contextualizar as relações entre as independências nacionais, as solidariedades socialistas, as comunidades afetivas e a guerra fria, a partir de experiências concretas e histórias de vida.

Participantes: José António Fernandes Dias, Júlio de Almeida “Jujú”, Luis Carlos Patraquim, Mamadou Ba, Manuel Alegre, Ondjaki
Moderadoras: Lívia Apa, Manuela Ribeiro Sanches
Sessão em português

Terça, 21 de fevereiro, 21h30

Mueda, Memória e Massacre, de Ruy Guerra
1979, 75’, Moçambique
Legendado em português

mueda-memoria-e-massacre-ruy-guerra-1981-3Considerada a primeira longa-metragem de ficção da República Popular de
Moçambique, o filme é, numa primeira leitura, uma recriação histórica dos acontecimentos de Mueda, onde a 16 de junho de 1960 soldados portugueses abriram fogo sobre uma manifestação, acabando por matar centenas de pessoas. O massacre é considerado como um dos fatores que espoletaram a luta anticolonial em Moçambique.

Local: Cinema São Jorge, Avenida da Liberdade, 175, Lisboa

Entrada livre (no limite dos lugares disponíveis; levantamento prévio de bilhetes)

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